O que chamamos hoje de motion graphics tem sua etapa de síntese em computadores com um recurso básico e principal: o programa de composição de imagem em movimento.

Na sua essência, é exatamente o que o After Effects, o Motion, o Combustion, o Shake, o Flame e outros tantos aplicativos do mesmo tipo vêm a ser.

Não é de hoje que os artistas visuais e designers buscam soluções para esse desejo de criar uma espécie de superfície mágica onde os grafismos se sobrepõem e se transformam ao longo do tempo.

No passado, muitos foram atrás de tecnologias oriundas do cinema e da animação como o melhor caminho para atingir esse objetivo. Duas tecnologias se destacam nessa espécie de genealogia do motion graphics: os recursos de impressora ótica (optical printer) e trucas de animação (animation stand).

Uma optical printer (fonte: Wikipedia)

A optical printer, na definição da Wikipedia “é um dispositivo que consiste em um ou mais projetores de filme mecanicamente ligados a uma câmera de cinema. Este aparelho permite aos diretores de cinema re-fotografar uma ou mais partes do filme. A impressora ótica é utilizada para fazer efeitos especiais em filmes, ou para copiar e restaurar antigas películas.”

Uma truca de animação Oxberry (fonte: Evergreen Animation Labs)

Já a truca de animação trata-se de um dispositivo, com variações, basicamente composto de uma mesa de luz com uma camera de animação (para registros de um quadro por vez) na vertical, apontando para a superfície horizontal da mesa. Nessa superfície, são colocados acetatos contendo as ilustrações que, depois de registradas quadro a quadro, permitem criar a animação.

Essas tecnologias analógicas anteriores, certamente, foram estudadas por engenheiros de software para criar os programas de composição de imagem. E um equipamento em especial, a camera multiplano inventada pelos estúdios de Walt Disney em 1933, pode ser considerada a que mais se aproxima desses ambientes virtuais.

Ela tinha a particularidade de ter, abaixo da camera, várias superficies horizontais dispostas uma sobre a outra, com alturas variáveis, ajudando a criar a impressão de profundidade atraves da simulação de movimentos de camera obtidos com o chamado efeito paralaxe, onde os elementos nos primeiros planos da cena se movimentam mais rapidamente que os elementos de fundo.

Assista o vídeo em que Walt Disney apresenta a sua camera multiplano, e depois pense nas relações que esse dispositivo lhe faz lembrar quando você usa o After Effetcts, por exemplo.

No caso da ferramenta de composição de imagem, como o After Effects, as camadas da composição funcionam como os planos da camera multiplano. A camera, no entanto, é absolutamente fixa. O que gera a animação são as transformações impostas aos objetos por certos tipos de operadores.

Veja agora o vídeo Mezzo “LEAP” Visual Effects Breakdown, com efeitos visuais criados por Marc Rienzo para comerciais dirigidos por Joseph Kosinski. Ele dá bem essa idéia do ambiente de camadas que reconstroi virtualmente a solução das trucas analógicas. Claro que aqui trata-se de ação viva e animação 3D integradas, mas o conceito de composição de imagem em movimento fica muito bem ilustrado.

Essas reflexões ajudam a entender melhor a ferramenta do motion graphics dos pontos de vista conceitual e estrutural, e permitem que você amadureça como artista-técnico, uma necessidade constante para todos os profissionais da área.

(post publicado originalmente no blog VideoGuru em 14 de dezembro de 2011)

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