Você assina seus trabalhos como editor ou montador? Será que faz diferença?

Por curiosidade, quando fui ver o filme “As Canções”, de Eduardo Countinho, aproveitei para olhar, nos cartazes colados nas pilastras do cinema, como o pessoal tava assinando. Ví alguns assinando seu trabalho como montagem, como a Jordana Berg, e outros como editor ou até como editor de imagem, como o Sergio Mekler.

Discutindo com o colega Fernando Vidor, que está organizando a associação de montadores e editores, ele me falou de uma tese de que a edição se refere ao processo e a montagem ao exercício intelectual e criativo que rege esse processo. No meu entender, esse tipo de argumento não se sustenta.

Ele vai na direção da separação entre técnica e linguagem, algo que o digital superou quase que completamente. Remete ao tempo do motorista de moviola e do operador de edição. Separa os sabios pensantes e criadores dos pobres técnicos incultos, quase de uma casta inferior.

E essa lógica condenaria todos os que assinam como editor a se enquadrarem nessa categoria de seres não pensantes.

Ora, o processo é a operação de edição ou montagem, e o exercício intelectual é a edição ou a montagem propriamente ditas. O que acontece hoje, é que o editor contemporâneo opera os softwares, as ferramentas atuais, que simplificaram bastante o lado operacional.

Então, na falta de argumentos, o que será que está por trás de toda essa polêmica discussão? Ofereço, a seguir, algumas reflexões sobre o tema.

Edição e montagem querem dizer a mesma coisa. Um termo vem do inglês e outro do francês. O pessoal de cinema, que no passado teve forte influência europeia, adotou o termo montagem. Nada a ver com o fato de que ela era feita na antiga moviola, cortando e colando pedaços de película. É apenas uma questão cultural histórica.

Em inglês, por exemplo, tem a especificação fim editing e video editing, e em francês, tem os termos montage e montage vidéo. Dão a ideia de que é a mesma coisa, em suportes e mídias diferentes. E mesmo essas separações são hoje questionáveis , porque quase não tem mais edição em película. Tudo virou vídeo digital.

Mas o fato é que ainda hoje, no Brasil, muitos associam a edição para cinema ao termo montagem, e parece que isso não vai mudar facilmente. Eu mesmo assinei como montagem os três curtas 35mm que editei, e coloco assim no meu currículo. E ando em dúvida de como assinar mais dois curtas que vêm por aí.

Por isso eu entendo o pessoal querer usar ou mesmo privilegiar o termo montador ou montagem, mas também concordo que ele pode passar uma ideia elitista de que o trabalho de edição para cinema é superior ou engloba os outros. Isso não tem fundamento.

Então como resolver o dilema do nome? Influencia americana ou europeia? Respeitar uma tradição brasileiramonta de separar os trabalhos com termos diferentes ou juntar tudo num termo só? Se for juntar, qual termo seria mais representativo da totalidade?

Pode ser uma questão de opinião, mas eu tendo a achar que o termo edição, no momento, passa uma ideia mais contemporânea e abrangente.

(Artigo publicado originalmente no blog VideoGuru em 18 de janeiro de 2012)

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